Por que um trabalho com homens?

Pai_FilhoAlgumas décadas atrás achávamos que estávamos no topo da cadeia alimentar, mandando e desmandando, até começarmos a enxergar que esse comportamento estereotipado e opressor estava longe de representar estados de alma e valores que realmente valem a pena ser vividos, como liberdade, saúde emocional e psíquica, paz de espírito, harmonia interna e nos relacionamentos.

O modo de vida moderna levou o pai para longe de casa, necessitando vender suas horas de trabalho nas grandes fábricas para o sustento da família. Os cuidados e ensinamentos dos filhos ficaram totalmente por conta da mãe e da avó, ou da empregada, da “tia” da creche. Filhos e filhas cresceram com pouquíssima ou nenhuma referência masculina. Os meninos tiveram que aprender a ser homens com as mulheres. Mas estas, por mais que se esforçassem, não conseguiam realizar essa proeza. Como alguém pode ensinar outra pessoa a ser o que ela não é? Como uma mãe poderia ensinar o filho a ser homem, ou o pai ensinar a filha a ser mulher? O resultado da ausência paterna não poderia ser outro: uma enorme lacuna na vida dos meninos, assim como também das meninas, que Robert Bly chamou de “fome de pai”.

Crescemos e nos tornamos homens, sem termos a menor noção do que isso significa, sem sabermos lidar com questões básicas da vida. Por exemplo, como cuidar de si mesmo, como tratar as mulheres, os filhos, os outros homens. Muitas vezes não sabemos nos expressar, nem temos a menor ideia do que se passa dentro do próprio peito. Temos total convicção que dar um abraço afetuoso ou um beijo no rosto de outro homem, mesmo sendo este seu próprio pai, tio ou avô, seria uma declaração inequívoca, no mínimo, de masculinidade duvidável.

Por mais que não percebam ou que tentem negar com todas as forças, os homens estão muito perdidos, inseguros e enfraquecidos. Não temos como nos tornar homens apenas ouvindo os conselhos bem-intencionados da mãe, da tia ou da avó. Muito menos sozinhos, repetindo irrefletidamente os estereótipos de masculinidade já tão obsoletos, passados de geração em geração, e que só geram – na verdade – comportamentos engessados e sofrimentos disfarçados de aparente grandeza e macheza.

Enquanto não admitirmos que precisamos nos juntar a outros homens para nos tornarmos homens, continuaremos sendo meninos, agindo como meninos!

Esse é o motivo de ter escolhido trabalhar com homens. Não porque, supostamente, eu saiba mais do que os outros e queira ensiná-los o que aprendi. Mas porque eu também sou homem e, portanto, passei pelo que todos os outros homens passaram. Por isso me coloco aberto a continuar aprendendo a ser homem com outros homens, compartilhando também as muitas experiências e descobertas dos últimos anos de atividades.

Este é o meu propósito e o convite que faço aos homens que sentirem vontade de fazer parte desta proposta de crescimento.

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Sobre Alexandre Vieira

Psicólogo Clínico, Terapeuta de Vida Passada e Constelador Familiar
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